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Do Bernardo eu carrego uma saudade que eu nunca senti. É uma saudade culpada e arrependida. Saudade de quem aprendeu com erro num momento que não podia errar. Saudade de quem deixou partir quem servia.

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Sentada, eu rezava pelas palavras. Nunca precisei tanto delas. Mas tudo que eu tinha era um nó apertado na garganta, uma dor no peito e uma fraqueza na alma.

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Diante daquela dor, imaginou como estaria seu coração. Certamente estava ralado, cheio de arranhões e remendas, um trapo.

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Seu corpo estava leve demais, parecia completamente vazio. E então se perguntou se é assim que as pessoas se sentem antes de partir.

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Comumente a tristeza de um homem o transforma em poeta. Sendo assim, não muito me surpreede poemas melancólicos de pessoas que não costumam externar seus sentimentos através da escrita.

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Quando me sinto fraca, quando os sentidos se embaralham e o coração pede calma, eu me esvazio, transbordo. E aos poucos, diluído em água salgada, o mau se esvai.

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Quando a superficialidade me assalta, posso jurar por instantes só acreditar no que é tocável.

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Sim, é pedir demais que os outros entendam sentimentos que nem o nosso Eu sabe ao certo definir.

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Queria que fosse possível injetar poesia nas veias, literalmente.

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Os momentos em que sentimo-nos vazios não são tão desprezíveis como parecem. O equilíbrio também se reflete no que há de ruim. Não sentir pode ser péssimo, mas o péssimo é essencial.

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Sou capaz de sentir dor e alegria com a mesma intensidade, mas percebi que manifesto- as de formas diferentes. A dor, através das palavras. A alegria, através dos gestos.

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Senti um alívio ao não me arrepiar quando ouvi a melodia que me lembrava você. Quando o sentimento acaba, é isso que acontece.

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Incomum não é o sentimento em si e sim a pureza perturbadora que o acompanha, apresentando uma forma de sentir inédita e abstrata.

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Às vezes, é bom não saber se explicar. Tenho mais medo de deixar de sentir, do que não entender.

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Ninguém faz ideia do que você é, do que sente, do que eu sinto e do que sou.

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(...) E madrugada à dentro tentou expressar o que sentia. Quis escrever algo profundo, mas nem a chuva e o silêncio melancólico trouxeram inspiração. Estava tudo muito leve.